IMG-20150208-WA0004SANTO AGOSTINHO

EM VERSOS

Pe. Moisés do Nascimento Rodrigues

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AS CONFISSÕES

 

INVOCAÇÃO À DEUS

Grande és tu, meu Senhor,

Digno de Grande Louvor.

Grandiosa é a tua força,

E sem limites é o seu saber.

O Homem quer louva- te,

Essa pequena porção da tua criação.

Esse Homem limitado,

Carregado de pecado.

Resistindo aos soberbos,

Mesmo assim, ti agradeço.

Eu que sou parte dessa criação,

Expresso a ti a minha gratidão.

Tu o incitas para que sinta,

Prazer em te agradecer.

Fizeste – nos Senhor para vós,

E o nosso coração está inquieto.

Enquanto não repousar em vós,

Porque só em vós, repouso encontro.

Dá – me, Senhor, saber e compreender,

E o que eu devo fazer.

Invoca –lo ou louva – lo,

Ou conhecê – lo ou invoca – lo.

Mas quem te invocará sem te conhecer?

Por ignorância pode até acontecer.

Por ignora – ló outro seja chamado,

E em seu lugar colocado.

O que poderá ser melhor?

Nessa prece meu Senhor?

Seres invocado para seres conhecido?

Ou seres conhecido para seres invocado?

Como te invocarão aqueles que não acreditam?

E como vão ter fé, aqueles que não te anunciam?

Louvarão o Senhor,

Aqueles que o procuram com amor.

Quem o procura tenha certeza que o encontrará,

E tendo encontrado, com toda certeza o louvará.

Que eu te busque, Senhor, chamando – te,

E que eu te chame, credo em ti.

Tu nos fostes anunciado,

E também por nós invocado.

Tenho uma fé que me destes,

E que tu Senhor me inspirastes.

E que pela humanidade de teu Filho,

Muitos pregadores inspirastes.

Eu Agostinho pregador,

Da humanidade do teu Filho, pregador eu sou.

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(Extraído do Livro das Confissões de Santo Agostinho do Livro I, capítulo 1§1)

Poesias do Cônego Padre Moisés Rodrigues.

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Relembrando as suas Culpas

Quero recordar as minhas torpezas passadas,

As corrupções de minha alma.

É por amor do teu amor que retorno ao passado,

Recordando os meus caminhos errados.

A recordação é amarga, mas espero sentir a tua doçura,

Doçura que não engana, porque ela é feliz e segura.

Depois de interiores dilaceramentos quero recompor a minha unidade,

Que sofri quando perdi, quando me afastei da tua unidade.

Desde a minha adolescência eu me ardi,

Quantas coisas baixas eu fiz.

Eu me entreguei como animal,

Nesses tenebrosos amores como tal.

Desgastou – se a beleza da minha alma,

E apodrecia aos teus olhos e isso lhe desagradava.

Enquanto eu agradava a mim mesmo, eu pensava,

Ser agradável aos olhos dos homens eu procurava.

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(Extraído do Livro das Confissões de Santo Agostinho do Livro II, capítulo 1 §1)

Poesias do Cônego Padre Moisés Rodrigues.

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AMORES SEXUAIS

Vim para Cartago,

E logo fui cercado.

Pelo fervilhar ruidoso,

Dos amores ilícitos.

Ainda não amava,

Mas de ser amado gostava.

E na minha miséria profunda, eu me odiava,

Porque dessa miserável não me libertava.

Desejando amar procurava,

E um objeto desse amor desejava.

Eu detestava a segurança,

Como também as situações isentas de riscos me inquietavas.

Tinha dentro de mim uma fome de alimento interior,

Fome de ti, ó meu Deus e meu Senhor.

Mas não sentia essa fome, porque nãome ambicionava,

Esses alimentos incorruptíveis, eles não me saciava,

Mas porque, quanto mais vazio,

Mais deles eu sentia fastio.

Doente estava minha alma,

Toda ela coberta de chagas.

Com essas coisas sensíveis de contato ávida,

Mas, se estas não tivessem alma, certamente não seriam amadas.

Era para mim mais doce ser amado e amar,

Se eu pudesse gozar do corpo da pessoa amada.

Assim, as fontes da amizade com a sordidez da concupiscência eu manchava,

E a pureza delas com a espuma infernal das paixões turbava.

Não obstante eu ser feio e indigno me apresentava,

Num excesso de vaidade, como pessoa elegante e refinada.

Mergulhei então no amor em que desejava ser envolvido,

Deus meu, misericórdia comigo.

Como foste bom em derramar fel sobre os meus prazeres,

Fui amado mesmo assim com eles.

Mas na alegria eu me via,

Por laços de sofrimentos amarrado todavia.

Castigado pelo feno em brasa de ciúmes e das suspeitas,

Dos temores, das cóleras e das contendas.

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(Extraído do Livro das Confissões de Santo Agostinho do Livro III, capítulo 1 §1)

Poesias do Cônego Padre Moisés Rodrigues.

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SEDUZIDO E SEDUTOR

 Durante os nove anos que se seguiram da minha idade,

Ou dezenove ou vinte oitos da minha capacidade.

Fui muitas vezes seduzido e sedutor,

Enganado e enganador.

De público, as ciências chamadas liberais ensinando,

E, em particular uma religião indigna de tal nome praticando.

Ora soberbo, ora supersticioso,

Mais sempre vaidoso.

Ora em busca do quimérico louvor popular,

Até mesmo de aplausos no teatro eu estava La a buscar.

Dos concursos de poesias, das disputas das coroas de feno,

De espetáculos frívolos, das paixões e do desregramento.

Purifica – me dessas manchas, ora desejando,

Levava alimentos aos chamados eleitos e santos.

Para que estes nas oficinas de seus estômagos,

Fabricassem anjos e deuses que nos libertassem tanto.

Eu tinha essas opiniões e as praticava, como meus amigos,

Enganando a eles e a mim mesmo.

Riam- se de mim os orgulhosos, ainda não salurtamente humilhados ,

Por ti meu Deus esmagados.

Mas, para ti não deixarei de confessar, para o teu louvor,

Minhas indignidades meu Senhor.

Imploro me concedas que eu possa percorrer com memória fiel,

O caminho dos meus erros passados, oferecendo – te “sacrifício de jubilo” ó meu Deus.

Sem ti, o que se sou eu para mim?

Senão um guia a caminho do abismo sem fim.

Que sou eu quando tudo me corre bem?

Sou simplesmente alguém.

Que te suga o leite e se nutre de ti,

O alimento incorruptível que me nutre a mim.

E que vem a ser o homem, qualquer homem,

Visto que é apenas homem?

Zombem de nós os fortes e poderosos: nós, miseráveis e fracos,

Não cessaremos de confessar a ti, os nossos pecados.

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(Extraído do Livro das Confissões de Santo Agostinho do Livro IV, capítulo 1 §1)

Poesias do Cônego Padre Moisés Rodrigues.

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LOUVOR AO DEUS DAS MISERICÓRDIAS